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Os esquemas em pirâmide chegaram aos livros



O sistema da pirâmide é um método já conhecido que permite entrar com pouco e sair com muito. Este sistema costuma ser utilizado para (tentar) ganhar dinheiro, mas agora anda a circular uma versão com livros. O esquema é simples: seis pessoas enviam um livro por correio a alguém e, em troca, recebem 36 livros sobre o tema de sua preferência.

Estas “árvores dos livros” começaram a criar burburinho nas redes sociais em 2015, altura em que começaram a circular mensagens como esta: “Estou à procura de seis pessoas de qualquer idade que queiram participar numa troca de livros. A única coisa que é preciso fazer é enviar um livro (não necessariamente novo, mas em bom estado) a uma pessoa por correio. Como resultado receberão 36 livros da temática que vos interesse (sim, leste bem, 36). Comentem se estão interessados para mandar-vos as instruções por mensagem privada.”

Os números podem parecer estranhos, mas este é um sistema piramidal como outro qualquer. Para obter resultados é necessário recrutar novos membros que, por sua vez, também recrutem outros tantos elementos para o grupo. Os sistemas não são novos e o seu resultado é sempre o mesmo: mais cedo ou mais tarde acabam sempre por falhar: as únicas pessoas que conseguem tirar proveito são as que entraram primeiro para o esquema, estando por isso no topo da pirâmide.

A única diferença desta pirâmide para as que funcionam com dinheiro é que as pessoas que as criam são, provavelmente, mais bem-intencionadas. Passam a maior parte do tempo a gerir mensagens, comentários e queixas dos membros da cadeia, muitas vezes sem receber nada em troca (quando muito 36 livros). Estas redes que antes eram administradas por via postal, agora são organizadas na internet em comunidades online muito ativas. Isto permite que o recrutamento seja muito mais simples. Muitas das vezes os elementos não têm que fazer grandes esforços para divulgar a iniciativa e é a própria administração do grupo que trata de criar correspondência com novos membros que se mostrem interessados em participar no esquema.

Mas, à medida que o esquema vai progredindo, torna-se cada vez mais difícil angariar novos membros. Porque, a partir de certo ponto, o número de membros necessários para alimentar esta cadeia ultrapassa a população mundial. Como se explica neste esquema:

Nível 1: (que não dá livros a ninguém ou pode fingir que já está dentro de uma cadeia e oferecer um livro a alguém da sua preferência)
Nível 2: 6 pessoas
Nível 3: 36 pessoas
Nível 4: 216 pessoas
Nível 5: 1.296 pessoas
Nível 6: 7.776 pessoas
Nível 7: 46.656 pessoas
Nível 8: 279.936 pessoas
Nível 9: 1.679.616 pessoas
Nível 10: 10.077.696 pessoas
Nível 11: 60.466.176 pessoas

Quem entra na corrente quando ela já vai no nível 7, precisa que entrem 1.679.616 novos membros e que cada uma dessas pessoas envie um livro para poder receber alguma coisa. Isto porque não se recebe os livros do nível seguinte, mas sim de dois níveis depois. No nível 14 é preciso que participem mais de treze mil milhões de pessoas – mais que população mundial. Este limite pode ser atrasado se se diminuir o número de novos membros necessários mas, inevitavelmente, chega sempre a altura em que o sistema se torna incomportável.

Estes mecanismos são aliciantes pela sua simplicidade e vão continuar a existir, mas é preciso ter atenção, já que esta estrutura só funciona nos primeiros níveis e são mais as pessoas que perdem que as que ganham. E as que ganham fazem-no à custa de todos aqueles que não receberam nada.

Fonte: Observador

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