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16/03/2021

Resenha do livro - Surpreendido pelo Sentido

 



Ser humano é ansiar por sentido.

O livro Surpreendido pelo sentido publicado pela editora Hagnos, fala sobre Ciência, Fé e como conseguimos que as coisas façam sentido. O autor é Alisther McGrath, ele tem competência para falar sobre Ciência e Fé já que é graduado em química e teologia, doutor em Biofísica Molecular e também doutor em Teologia.

 

Não sei se você percebeu o título do livro lembra Surpreendido pela Alegria, escrito por C S Lewis. E sim isso foi proposital, já que Alisther se identifica e se inspira muito em Lewis. Inclusive foi ele quem escreveu uma das principais biografias de Lewis. Eles não foram contemporâneos, mas há algumas semelhanças interessantes entre os dois: ambos nasceram na Irlanda na região de Belfast, Alisther estudou no mesmo colégio que a mãe de Lewis, os dois foram ateus na juventude e se tornaram cristãos. Ambos decidiram viver a fé cristã na igreja anglicana. Assim como Lewis, Alisther estudou em Oxford e trabalhou em Cambridge. C. S. Lewis ficou conhecido como o Grande apologista cristão do século 20, enquanto Alisther é considerado um dos mais influentes pensadores cristãos da atualidade.

 

Em Surpreendido pela Alegria C. S. Lewis como um bom professor de Literatura e Língua Inglesa traçou a importância da literatura em conduzi-lo a saciar seu anseio mais profundo de deslumbramento, o que ele chamou de Alegria. A conversão de Lewis foi extremamente ligada aos livros.

 

Em Surpreendido pelo Sentido, Alister como um bom cientista conta que a sua conversão foi um ato do livre pensamento. Para ele o cristianismo contém uma dimensão para atribuir sentido. E ele faz um paralelo com a Ciência, que diz respeito a atribuir sentido. O método científico parte do princípio de identificar padrões no mundo natural e buscar estruturas mais profundas para explicar esses padrões. 

 

A explicação científica busca sentido para as nossas observações e experiências e, seleciona a teoria que faz mais sentido. Portanto, sempre haverá um elemento de dúvida em qualquer teoria, já que a Ciência trabalha com verdades falseáveis; verdades que podem ser contestadas. Além disso a Ciência reconhece que sempre haverá múltiplas interpretações das nossas observações.

 

Algumas teorias não podem ser provadas, mesmo fazendo sentido. Enquanto outras podem ser provadas, mas não adicionam sentido em nossas vidas, não nos dão nem um propósito ou motivo para viver.

 

A crença em Deus dá sentido à existência, mas não pode ser provada. Assim como o ateísmo também é improvável. Para Alisther Cristianismo e Ateísmo são tipos de fé.

 

Segundo o autor os limites da ciência devem ser respeitados, se não ela passa a ser prejudicada e explorada por indivíduos com agendas ideológicas. A ciência não deve sofrer interferência de dogmas religiosos ou anti religiosos.

 

É um problema quando cientistas fingem ser religiosos ou quando religiosos fingem ser cientistas. Eu me sinto desconfortável quando vejo crentes usando Deus para tapar buracos, não sabem explicar um fenômeno e colocam Deus no meio. Deus não é um tapador de buracos. Não é papel da Teologia cristã inventar uma explicação para as observações do mundo. A natureza está aberta a muitas interpretações legítimas.

 

 A ciência em si e por si é ou deveria ser neutra. Mas tudo depende do caráter moral dos seres humanos. A nossa natureza é falha, e foi essa humanidade falha que criou a Ciência, por isso o seu potencial tanto para curar quanto para destruir.

 

O autor traça uma linha de raciocínio muito interessante sobre Seleção natural evolução e surgimento do Universo. Eu gostei muito da parte sobre a formação do Universo. As propriedades que sustentam a vida no Universo são extremamente sensíveis aos valores das forças fundamentais e constantes da natureza. Você já ouviu falar sobre sintonia fina?

 

É ideia de que o Universo foi sintonizado para a vida. Porque se as constantes que governam o universo variassem minimamente isso poderia impedir o surgimento da existência humana. E eu estou falando de variações numa fração de 10 elevado a 55, ou seja o número 10 seguido por 54 zeros.

 

Surge então a pergunta: de onde vem as leis da natureza?

 

Se o Universo se formou em um espaço de tempo surpreendentemente curto, já possuindo todas as leis que governariam a natureza. A origem dessas leis passa ser de maior importância apologética.

 

O filósofo Jonh Leslie disse: Deus precisou ter cuidado com a física que escolheu.

 

A sintonia fina não prova nada, mas ecoa a visão cristã da realidade.

 

A fé cristã nos capacita a extrair sentido das coisas. Ainda que a existência e natureza de Deus esteja além do método científico. A fé vai além da razão e da evidência. Eu disse que ela vai além, não contra...

 

Esse livro é fininho, eu demorei para ler porque o assunto requer bastante atenção, mas a linguagem é bem acessível e agradável.

Resenha escrita por

Elen Ximenes

 

Título: Surpreendido pelo Sentido

Autor: Alister McGrath

Editora: Hagnos

Número de Páginas: 199




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01/03/2021

Resenha do Livro - O Ceticismo da Fé (Rodrigo Silva)

 



Deus existe ou seria a fé religiosa um delírio universal?

 

O Ceticismo da Fé foi escrito por Rodrigo Silva, graduado em Teologia e Filosofia. Ele também possui mestrado e doutorado em Teologia, especialização em Arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém e doutorado em Arqueologia Clássica pela USP.

 

O doutor Rodrigo Silva é curador do Museu de Arqueologia do UNASP e apresentador do documentário Evidências, transmitido pela TV Novo Tempo.

 

O ceticismo da fé era um livro que eu queria muito, li em 2020 e foi uma das minhas melhores leituras. Quando eu olhava para esse livro grosso de 580 páginas, eu imaginava que seria uma leitura difícil, que seria necessário muito tempo para entender... Mas não foi.

 

Nessa leitura eu senti como se tivesse batendo um papo muito agradável com o autor. E esse foi o propósito dele, falar de um conteúdo sério que aborda religião e filosofia, mas de forma leve, amigável, sem preconceitos, propondo um diálogo com o interlocutor.

 

Esse livro é indicado para religiosos que querem conhecer bases filosóficas e históricas para alicerçar suas crenças. Também é indicado para ateus, que podem ler com o objetivo de refinar suas próprias argumentações.

 

O insight para escrever a obra partiu de uma afirmação de René Descartes que diz o seguinte: “o homem deve desconfiar de tudo para poder acreditar em alguma coisa”. E assim o livro foi construído, partindo do princípio da dúvida, traçando argumentos para sustentação da fé em Deus.

 

Mas não pense que esse livro é sobre um teólogo tentando provar a existência de Deus, nada disso... Até porque Deus é improvável, se Deus fosse provável ele estaria mais para teorema do que para pressuposto, logo caberia dentro da mente humana e não seria grande o bastante para ser Deus.

 

Isso aqui é uma conversa sincera e aberta, sem fugir dos grandes problemas que envolvem a fé em Deus, como por exemplo: “Porque um Deus de amor matou e mandou matar tanta gente no Antigo Testamento?” “Se Deus existe e é amor, porque ele permite tanto sofrimento no mundo?”.

 

O autor não tem medo de tocar em problemas sérios que envolvem os próprios religiosos, como a corrupção de pastores que muitas vezes parecem trabalhadores do supermercado da fé em que curas e bençãos são prometidas em troca de dízimos e ofertas. Ele fala sobre as complicações das comunidades de crentes, as igrejas: “a igreja pode ter um papel de relevância ou obstáculo no diálogo com aqueles que não creem”.

 

Isso me lembrou uma ideia do professor Mario Sérgio Cortella em que ele diz: “Religião não é coisa de gente tonta, mas de gente. Tem gente que é tonta e gente que não é. Existe gente tonta na docência, no jornalismo, na política.”

 

Como o Rodrigo escreveu: “Há muitos descrentes honestos e religiosos perigosíssimos”. Se a sua crença em Deus não faz de você uma pessoa que busca a integridade, não sei que diferença essa crença faz no mundo.

 

É fácil acompanhar a linha de raciocínio do autor, mesmo falando sobre um assunto tão complexo ele tem uma linguagem muito clara!

 

Eu destaco aqui duas partes que foram as minhas favoritas no livro! A primeira diz respeito ao capítulo sobre diferença entre ser existir. Parece simples dizer: Deus existe ou Deus não existe. Mas o que é existir? Como sabemos que as coisas existem? Por que vemos? Tem muitas coisas que não vemos, mas que existem. Eu gostei muito dessa discussão e não vou entrar em detalhes para que vocês ficarem curiosos e lerem o livro.

 

A minha outra parte favorita é quando ele fala sobre a Bíblia, porquê temos motivos para acreditar. Dentre os inúmeros motivos que envolvem fatores históricos, ele levanta a discussão sobre a Bíblia ser um Bestseller ou um Clássico.

 

Bestseller, significa mais vendido, é um livro considerado extremamente popular, um livro feito para agradar um público chamado pelos críticos de semicultos. A Bíblia é o livro mais vendido, portanto um bestseller; porém ela não tem características de um bestseller, Rodrigo Silva a chama de “bestseller inconteste”. Levou tempo demais para ser escrita, é extremamente inconsistente em termos de estilo redacional e muito variada em termos de qualidade, o que já era de se esperar já que foi escrita por mais de 40 autores. É consenso que o grego utilizado para escrever a bíblia não foi o grego clássico, e sim a forma mais comum, sem muita sofisticação.

 

Um livro clássico é aquele que perpassa através do tempo. Os bestsellers vendem muito mais, enquanto o clássico vende menos, porém perdura mais tempo na cultura. Além disso, livros clássicos possuem um apelo estético e uma mensagem significante. É o tipo de história que chama primeiro a atenção dos intelectuais antes de chamar a atenção do povo. De forma alguma é escrito de uma maneira gramaticalmente pobre. A Bíblia não se encaixa nesses requisitos, mas ela tem perdurado através do tempo.

 

Eu aprendi muito com este livro. Temos aqui uma busca histórica e antropológica sobre as origens do Ateísmo. O que você acha que é mais antigo a crença ou a descrença em Deus? Pensando de uma forma lógica já dá para saber que a crença em Deus é mais antiga, porque primeiro tem que haver uma afirmação para que você possa negar. Não tem como você negar algo que não foi afirmado anteriormente.

 

Tem um capítulo cujo título é: “Ninguém escapa da transcendência”. Esta parte fala como nós seres humanos temos sede por significado. Crentes ou descrentes em algum momento da vida pensam em qual é o sentido da existência. Será que a vida é apenas o intervalo entre duas datas: nascimento e morte? Qual o sentido disso?

 

Nós não somos imortais, no entanto mesmo assim não queremos deixar de existir... Crentes ou não, todos nós buscamos uma alternativa para a morte, tentamos adiá-la ao máximo.

 

O que me lembra uma afirmação do meu autor favorito o C. S. Lewis: “As criaturas não nascem com desejos, a menos que exista satisfação para eles. Um bebê sente fome: bem, existe uma coisa chamada comida. Um patinho quer nadar: bem, existe uma coisa chamada água. (…) Se eu encontrar em mim mesmo um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fui feito para outro mundo.”

 

A crença ou a descrença em Deus não é algo simples, a menos que você fique na superficialidade das ideias, por isso um livro como esse é tão importante. Ele parte da dúvida, do questionamento. Tanto para crentes como ateus é necessário ter bases sólidas para firmar nossas posições. E também para sabermos silenciar e dizermos simplesmente “não sei” ao invés de falarmos bobagens.

Resenha escrita por 

Elen Ximenes

 

Título: O Ceticismo da Fé

Autor: Rodrigo Silva

Editora: Ágape

Número de Páginas: 589


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05/02/2021

Resenha - O Peregrino, de John Bunyan

 



Nenhuma obra em inglês a não ser a Bíblia foi tão lida nos últimos 340 anos como o livro O Peregrino. Lançado em 1678, desde então nunca parou de ser publicado.

 O Peregrino de Jonh Bunyan é um dos trabalhos mais significativos da literatura religiosa inglesa. Grandes nomes como C. S. Lewis, Ellen White recomendaram esse livro. Spurgeon leu a primeira vez aos seis anos, e depois cerca de 100 vezes no decorrer da vida.

No livro O Grande Conflito (página 252) Ellen White escreveu:

Por mais de dois séculos aquela voz da cadeia de Bedford tem falado com poder penetrante ao coração das pessoas. O Peregrino e Graça Abundante ao Principal dos Pecadores, escritos por Bunyan, têm guiado muitos ao caminho da vida.

 

O poeta e ensaísta inglês Samuel Johnson relatou: “o grande mérito desse livro é que nenhum homem culto consegue encontrar algo superior para enaltecer, assim como as crianças não encontram nada mais divertido para ler”.

 Jonh Bunyan nasceu em 1628 e viveu durante um dos períodos mais turbulentos da Inglaterra. Seu pai trabalhava consertando panelas e, logo Bunyan aprendeu a profissão do pai. Ele era um homem muito simples, conheceu a Jesus na juventude e foi preso por estar pregando em uma igreja que não era a igreja oficial do Estado naquela época. E foi durante esse momento difícil, na masmorra que ele escreveu O Peregrino.

 O Peregrino é uma alegoria, uma forma literária muito comum na idade média. Os lugares e personagens não são pessoas e sim personificações de qualidades ou ideias abstratas.

 O narrador da história conta um sonho que ele teve enquanto descansava. Nesse sonho um homem chamado Cristão vestido com trapos e levando um grande fardo nas costas lia um livro e chorava dizendo: “O que devo fazer?”

 Cristão conversou com sua família, dizendo que a cidade em que eles moravam iria ser destruída e que eles precisavam encontrar um meio de se salvarem. Mas ninguém deu ouvidos para Cristão e o consideraram louco.

 Ele ficou muito angustiado, andava sozinho, sempre lendo um livro e se perguntando: “O que devo fazer para ser salvo?”

 Até que Cristão encontrou um homem chamado Evangelista que o compreendeu e ensinou o caminho que ele devia seguir, e esse caminho começava por uma porta estreita, no final de uma estrada extensa e iluminada. Assim começou a Peregrinação de Cristão, saindo da Cidade da Destruição rumo à Cidade Celestial.

 O protagonista encontra diversos desafios e personagens pelo caminho como os seus vizinhos Obstinado e Inconstante. Em meio aos percalços ele conhece também Esperançoso e Fiel, além de Ignorância, Tagarela, Sábio Mundano, Paixão e Paciência. Os lugares que ele passa tem nomes como: O Pântano do Desespero, Vale da Sombra da Morte e a Feira das Vaidades.

 Já deu para você entender que esse livro é sobre a trajetória do cristão, sobre a Graça Maravilhosa de Cristo. Ele traz muitos pensamentos marcantes, foi até difícil selecionar um. Mas aqui vai: Durante a jornada o fardo pesava nas costas de Cristão, e um homem chamado Legalidade diz que poderia livrá-lo do fardo, então Evangelista disse:

 “Desse modo, esse Legalidade não é capaz de libertar-te de teu fardo. Ele jamais livrou qualquer homem de seu peso, e provavelmente jamais o fará. Ninguém pode ser justificado pelas obras da lei, pois pelos atos da lei nenhum vivente pode se livrar de seu fardo.”

 

Apesar de ter sido escrito há tanto tempo, esta versão da editora Jardim dos Livros possui uma linguagem bem fácil... Eu amei essa leitura, e quando terminei a minha vontade foi: reler!

Existem várias versões, se você quiser conhecer algumas delas assista o vídeo do canal do Cristão Literário. 


Para adquirir: https://amzn.to/3oXoIR4


Título: O Peregrino 

Autor: John Bunyan

Editora: Jardim dos Livros

Número de Páginas: 219

 

Resenha feita por
Elen Ximenes

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