19 agosto, 2018

Por que esquecemos a maioria dos livros que lemos e filmes a que assistimos




Texto de Julie Beck, na Folha de S.Paulo

As lembranças de Pamela Paul quanto a leituras são menos sobre as palavras e mais sobre a experiência. “Quase sempre me recordo de onde estava, e do livro em si. Lembro do objeto”, diz Paul, editora da revista The New York Times Book Review e pessoa que pode ser facilmente definida como alguém que lê um monte de livros. “Recordo a edição; recordo a capa; usualmente recordo onde comprei o livro, ou de quem o ganhei. O que não recordo —e isso é terrível— é tudo mais”.

Paul me contou, por exemplo, ter terminado recentemente de ler a biografia de Benjamin Franklin por Walter Isaacson. “Enquanto lia o livro, aprendi não tudo que se conhece sobre Ben Franklin, mas boa parte disso, e estava ciente da cronologia geral da revolução americana”, ela diz. “Agora, dois dias mais tarde, eu provavelmente não conseguiria resumir a cronologia da revolução americana”.

Certamente há pessoas capazes de ler um livro ou assistir a um filme uma vez, e reter a história perfeitamente. Mas, para muita gente, a experiência de consumir cultura é como encher uma banheira, entrar na água e depois vê-la escoando pelo ralo. Pode restar uma pequena quantidade de água na banheira, mas o resto se vai.

“A memória em geral tem uma limitação muito intrínseca”, diz Faria Sana, professora assistente de psicologia na Universidade de Athabasca, no Canadá. “É essencialmente um gargalo”.

A “curva do esquecimento”, o nome pelo qual o fenômeno é conhecido, é mais acentuada nas primeiras 24 horas depois que a pessoa recebe uma informação. Exatamente quanto a pessoa esquece, em termos percentuais, varia, mas a menos que ela revise o material, boa parte dele escorre pelo ralo depois do primeiro dia, e a perda aumenta nos dias subsequentes, o que deixa apenas uma fração do que a pessoa recebeu.

Presume-se que a memória sempre tenha funcionado assim. Mas Jared Horvath, pesquisador da Universidade de Melbourne, na Austrália, diz que a maneira pela qual as pessoas consomem informação e entretenimento hoje mudou o tipo de memória a que atribuímos valor —e a nova preferência não é pelo tipo que ajuda a reter a trama de um filme assistido seis meses atrás.

Na era da internet, a memória declarativa —a capacidade de acessar espontaneamente informações que a pessoa guarda na cabeça— se torna muito menos necessária. É boa para jogos de bar ou para recordar a lista de tarefas a fazer, mas, segundo Horvath, a chamada memória de reconhecimento se tornou em geral mais importante. “Desde que você saiba onde está a informação, e como acessá-la, não precisa da memória declarativa”, ele diz.

Pesquisas mostraram que a internet serve como uma espécie de memória externa. “Quando as pessoas antecipam ter acesso futuro a uma informação, elas recordam menos os detalhes dessa informação”, nas palavras de um estudo. Mas mesmo antes que a internet existisse, produtos de entretenimento serviam como memórias externas sobre eles mesmos. Ninguém precisa lembrar uma citação de um livro se puder consultá-lo. Quando surgiram os videotapes, tornou-se fácil voltar a assistir um filme ou programa de TV.

Não existe mais a sensação de que, se a pessoa não gravar uma dada informação em seu cérebro, ela se perderá.

Com os serviços de streaming e os artigos da Wikipédia, a internet rebaixou ainda mais o limiar da recordação, quanto à cultura que consumimos. Mas não é como se antes recordássemos mais ou melhor.

Platão foi um dos mais famosos ranzinzas da antiguidade, se o assunto era conservar memórias fora do cérebro. No diálogo que ele escreveu entre Sócrates e o aristocrata Fedro, Sócrates conta uma historia sobre o deus Thoth, o descobridor do “uso das letras”.

O rei egípcio Tamo diz a Thoth: “Essa sua descoberta criará o esquecimento nas almas dos aprendizes, porque eles não usarão sua memória; confiarão nos caracteres escritos externos e não recordarão sozinhos”. (É claro que as ideias de Platão só nos são acessíveis hoje porque ele as escreveu.)

“[No diálogo], Sócrates odeia a ideia de escrever porque acha que isso matará a memória”, diz Horvath. “E ele está certo. Escrever com certeza matou a memória. Mas pense em todas as coisas incríveis que obtivemos com a escrita. Eu não trocaria a escrita por uma memória declarativa melhor, em hipótese alguma”. Talvez a internet ofereça uma barganha semelhante: o usuário pode acessar e consumir toda a informação e entretenimento que desejar, mas não reterá a maior parte disso.

É verdade que as pessoas acumulam em seus cérebros muito mais do que são capazes de reter. No ano passado, Horvath e seus colegas da Universidade de Melbourne constataram que as pessoas que assistem a muitos episódios de séries de TV em rápida sequência esquecem o conteúdo dos episódios muito mais rápido do que as pessoas que assistem a um episódio por semana.

Pouco depois da conclusão de um episódio, o pessoal que assistia a múltiplos episódios em sequência registrava os melhores resultados em um teste de memória, mas passados 140 dias seus resultados eram inferiores aos dos espectadores que assistiam a um episódio por semana. Eles também reportaram curtir menos a série do que as pessoas que assistiam a um episódio por dia ou por semana.

As pessoas também estão consumindo palavras escritas em grande volume. Em 2009, o americano médio estava exposto a 100 mil palavras por dia, mesmo que não as “lesse” todas. É difícil imaginar que esse número tenha caído, nove anos mais tarde.

Em “Binge-Reading Disorder” [distúrbio da leitura compulsiva], um artigo para o jornal The Morning News, Nikkitha Bakshani analisa o significado dessa estatística. “Ler é uma palavra nuançada”, ela afirma, “mas o tipo mais comum de leitura é provavelmente a leitura de consumo – lemos, especialmente na internet, para adquirir informação, uma informação que não tem chance de se tornar conhecimento a menos que seja retida”.

Ou, nas palavras de Horvath, “é uma risadinha passageira, e você logo quer outra risadinha. Não estamos falando de aprender alguma coisa, e sim sobre uma experiência momentânea que leva a pessoa a sentir que aprendeu alguma coisa”.

A lição do estudo sobre leitura compulsiva é a de que, se a pessoa deseja recordar aquilo que assistiu ou leu, precisa espaçar o processo. Eu costumava me irritar na escola quando o curso de inglês requeria leitura de apenas três capítulos de um livro por semana, mas havia um bom motivo para isso.

A memória ganha força se a pessoa é forçada a reclamá-la constantemente, diz Horvath. Se a pessoa lê um livro todo de uma vez – por exemplo no avião -, a história ficará armazenada em sua memória de trabalho o tempo todo. “Ela jamais será reacessada”, ele diz.

Sana diz que é comum, quando lemos., que haja uma “sensação de fluência” falsa. A informação está fluindo para o cérebro, o leitor a está entendendo, e ela parece estar sendo armazenada em uma pasta que encontrará lugar na nossa biblioteca mental. “Mas na verdade ela não será fixada se o leitor não se esforçar, e não adotar certas estratégias que ajudam a lembrar”.

Pode ser que as pessoas ajam assim quando estão estudando ou lendo algo para o trabalho, mas parece improvável que, em seus momentos de lazer, façam anotações sobre “Gilmore Girls” para teste posterior. “Você pode estar vendo e ouvindo, mas talvez não esteja percebendo e escutando”, diz Sana. “E acho que é exatamente assim que agimos na maioria do tempo”.

Ainda assim, nem todas as memórias que não são armazenadas devidamente se perdem. Algumas delas podem estar retidas na memória, inacessíveis, até que a pista correta as libere – talvez uma cena de episódio anterior exibida no começo de um novo episódio de “Gilmore Girls”, ou uma conversa com um amigo sobre um livro que ambos tenham lido. A memória é “essencialmente associativa”, diz Sana.

Isso pode explicar por que Paul e outros se recordam do contexto em que leram um livro sem se recordarem de seu conteúdo. Paul mantém um “livro de livros”, apelidado de “Bob” [book of books], desde que estava no segundo grau – uma forma analógica de memória externa.

Ela anota no diário todos os livros que lê. “O Bob oferece acesso imediato aos lugares em que estive, psicológica e geograficamente, em cada dado momento de minha vida”, ela explica em “My Life With Bob”, livro que ela escreveu sobre seu livro de livros. “Cada anotação conjura uma lembrança que de outra forma poderia ter se perdido ou se tornado menos nítida, com o tempo”.

Em artigo intitulado “A Maldição de Ler e Esquecer”, para a revista New Yorker, Ian Crouch escreve que “ler tem muitas facetas, uma das quais pode ser bastante indescritível e naturalmente fugaz, uma mistura de pensamento, emoção e manipulação sensória que acontece no momento e desaparece. Que proporção da leitura, portanto, é só uma forma de narcisismo – um marcador de quem você era e em que estava pensando ao encontrar dado texto?”

Para mim, não parece narcisismo recordar as estações da vida com base na arte que as ocupou – a primavera dos romances de amor, o inverno das reportagens sobre crimes. Mas é verdade que, se você consome cultura na esperança de construir uma biblioteca mental à qual possa se referir a qualquer momento, é provável que se decepcione.

Livros, espetáculos, filmes e canções não são arquivos subidos para os nossos cérebros – são parte da tapeçaria da vida, entretecidos a tudo mais. De longe, pode ser difícil distinguir uma das meadas, mas ela estará lá.

“Seria bacana se nossas memórias fossem limpas – uma informação entra e em consequência a pessoa tem uma memória daquele fato”, diz Horvath. “Mas na verdade, todas as memórias são todas as coisas juntas”.

Julie Beck é editora sênior da revista The Atlantic, onde cobre família e educação

Tradução de PAULO MIGLIACCI

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16 agosto, 2018

Resenha do Livro – Quem foi esse Jovem?




A Bíblia é um livro repleto de histórias, disso não há dúvidas, não é mesmo? O número de personagens é proporcional a quantidade esses relatos. Tem crianças, jovens, velhos e até animais. São muitos personagens reunidos em um só livro.

Maria Isabel Mateo Larrea selecionou alguns dentre os vários personagens jovens da bíblia para que o leitor pudesse aprender um pouco mais sobre eles de uma maneira divertida. Além do relato bíblico descrito em cada capítulo, há muita informação e curiosidades sobre os pontos fortes e fracos de cada personagem.

O livro traz mais de 50 atividades que auxiliam na fixação do conteúdo e torna a leitura mais divertida e dinâmica. Tem palavras cruzadas, caça palavras, e outras atividades bem interessantes que colaboram para o desenvolvimento e aprendizado. O leitor vai acompanhar as aventuras, sofrimentos e lutas de José, Davi e Daniel, dentre outros.

Este livro faz parte do clube de leitura da CPB, onde a cada ano são selecionadas obras para os diferentes públicos. O público alvo são os juvenis, com idade entre 10 e 13 anos. Se você não conferiu a lista, clique aqui e fique sabendo dos outros títulos selecionados.

Um ótimo livro para quem quer aprender se divertindo. Se você é pai ou mãe, adquira esse livro, é uma forma de proporcionar conhecimento aos seus filhos, e quem sabe criar neles o gosto pela leitura! 

Título: Quem foi esse Jovem?
Autor: Maria Isabel Mateo Larrea
Editora: Casa Publicadora Brasileira
Páginas: 103


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02 agosto, 2018

Resenha do Livro - Ouse Pedir Mais


Ouse Pedir Mais faz parte do Clube de Leitura da CPB para o ano de 2018 e é direcionado para o público jovem. Para conferir a lista completa e mais informações, clique aqui e conheça outras dicas de leitura.

Melody Mason se formou em Enfermagem e realizou diferentes trabalhos missionários em vários países do globo. Atuou na área da saúde, deu aulas de inglês e ministrou palestras de diferentes temas. Era uma jovem normal de uma família tipicamente Cristã. Algumas histórias motivavam Melody a buscar uma experiência de transformação, como por exemplo a experiência de pessoas que saíam do mundo da descrença para o cristianismo. Um desses personagens que a inspiraram foi Doug Batchelor, autor do livro Milionário da Caverna.

“Em vez de ir à igreja para ver o que posso ganhar com essa experiência, vou para ser uma benção e dar algo”

Em uma de suas viagens missionárias à Bangladesh, durante seu devocional, Melody conseguiu perceber o que deveria fazer para ter um relacionamento mais intimo com Deus. Nesse momento sua obra missionária não foi mais a mesma e ela sentiu que Deus age de maneira poderosa por meio daqueles que pedem com fé, acreditando que Ele tem sempre o melhor.

O livro é dividido em 3 partes, dissecando esse tema que é tão comum e importante no meio cristão, a Oração. Com capítulos curtos e recheados de citações, é uma obra que pode ser utilizada como um guia de estudos para crescimento espiritual.

A primeira parte do livro trata do Poder e o Privilégio da Oração. Conta um pouco da história da Melody e de várias pessoas transformadas e como o poder da oração pode ser impactante. Ao final dessa primeira parte, somos incentivados a ter a audácia de orar com fé e Ousar Pedir Mais.

Na segunda parte do livro, encontramos as chaves divinas para  orações que são respondidas. São 11 chaves que farão com que você mude e até melhore o seu jeito de orar. Muitas vezes as distrações e distorções da verdade são empecilhos para orações sinceras e isso levaa a repetições sem fé. Além disso, essa parte apresenta passos práticos para construir uma fortaleza espiritual e apresenta algumas táticas usadas pelo Inimigo e como podemos combate-las.

Por fim, a terceira parte do livro orienta acerca da batalha que existe em torno da oração. Nessa seção do livro existem 3 capítulos mostrando como reconhecer o falso reavivamento e não cair nessa armadilha de Satanás. O verdadeiro reavivamento bíblico é apresentado, motivando-se a busca pelas bênçãos relatadas no livro de Atos.

Este é um livro completo quanto ao assunto Oração, motivando a racionalidade e não o emocional do leitor. É um livro  bem teórico, repleto de conceitos, fugindo da atual tendência de apelar para o emocional. Concluo que dessa maneira até mesmo orações humildes podem ser poderosas. Ouse Pedir Mais.

“Se buscarmos, em primeiro lugar, alinhar-nos com a vontade de Deus, então, cientes de que o Espírito Santo guiou nossas orações, poderemos orar com ousadia e audácia.” 

Título: Ouse Pedir Mais
Autor: Melody Mason
Editora: Casa Publicadora Brasileira
Páginas: 335
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31 julho, 2018

Resenha do Livro - Viagem ao Sobrenatural




Roger Morneau cresceu numa família cristã, cujos pais eram pessoas bondosas e muito piedosas. Muitas das suas recordações de infância envolvem atos de bondade do seu pai em prol das outras pessoas. Doutrinado na ideia de que os mortos tinham destinos diferentes: céu, purgatório ou inferno, Roger começa a questionar o amor de Deus. Se Deus é bom porquê mantém as pessoas queimando no inferno, ou se redimindo no purgatório? Porquê os pobres que não tivessem recursos para terem uma missa celebrada no  seu velório, estariam também condenados?

Estas indagações somado ao fato de perder a sua mãe ainda jovenzinho, fizeram com que Roger perdesse cada vez mais o interesse por religião. Este desinteresse aliado a vontade de rever sua mãe levaram Roger a se envolver com atividades espiritualistas. Na companhia de seu amigo Roland, começou a participar de uma sociedade secreta de invocação de espíritos.

A vida de Roger começa a tomar um novo rumo pós seu envolvimento com os espíritos. Os espíritos o “favoreciam” de tal maneira que chegou a ganhar muito dinheiro apostando em corridas de cavalos. No auge deste envolvimento Roger conhece um novo colega de trabalho, Cyril. E essa amizade muda completamente a forma de pensar de Roger. A partir deste momento a história se desenrola com conflitos e vitórias.

A história de Roger Morneau, contada por ele mesmo é envolvente e de certa forma amedrontadora. Vale a pena a leitura, em meio a narração há explicações profundas sobre temas como o destino dos mortos, o dia sagrado, adoração e vida saudável. Leia esta obra e conheça a história de redenção de Roger Morneau, autor também de “Respostas Incríveis a Oração”

Título: Viagem ao Sobrenatural
Autor: Roger Morneau
Editora: Casa Publicadora
Páginas: 117

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24 julho, 2018

Entrevista com o Autor - #1




Já leu a resenha do Livro “A Atitude Muda Tudo”? Agora confira a entrevista que fizemos com o autor, Jerônimo Mendes. Ele é Administrador, Coach, Escritor, Professor Universitário para Cursos de Especialização e MBA e Palestrante com mais de 35 anos de experiência profissional em empresas de médio e grande porte. Também é apaixonado por Literatura, Empreendedorismo e Desenvolvimento de Pessoas.

Para acompanhar o trabalho do autor, acesse o site dele e confira seus livros, e-books e cursos.

Qual foi a inspiração para escrever o livro nesse formato?

Conheço muitas histórias, trabalhei com muitos empresários e filhos de empresários em situação semelhantes e há muito tempo queria fugir um pouco da linha de publicações técnicas. Então, com uma boa história na cabeça, defini um método, criei os personagens, associei ficção e realidade e decidi pôr no papel.

O livro traz a relação de pai e filho em uma empresa familiar, quais são as dicas para obter uma sucessão tranquila?

É um rol de atitudes e iniciativas. Infelizmente, nossa cultura ainda tem dificuldades para lidar com a sucessão. Passei por muitas empresas familiares e isso tem sido o pesadelo de muitos empresários. Alguns aprendem na marra, outros por iniciativa, mas o desapego continua sendo o maior obstáculo. É próprio do ser humano. Alguns preferem quebrar a empresa do que quebrar o orgulho.

Quanto ao processo de sucessão, considero essencial pensar no seguinte:
1)   Preparar o processo de sucessão familiar, ainda que não seja para alguém da família, mas com o respaldo da família.
2)   Pensar em ações de médio e longo prazo; inovação e planejamento são fundamentais.
3)   Contratar profissionais acostumados à sucessão familiar para evitar as armadilhas possível ao longo do caminho, principalmente conflitos entre os membros da família.

No livro, Heitor construiu uma grande empresa e sempre sonhou em ter o filho na direção dos negócios. Como os pais podem ponderar o desejo de ajudar os filhos e ao mesmo tempo respeitar os seus sonhos?

Os empresários (pais) devem entender que as coisas mudam muito rapidamente nos dias de hoje e o que vale para um segmento não vale para outro. O ideal é preparar os filhos por meio de coaching, cursos no exterior, mentoring etc., entretanto, não adianta preparar os filhos e depois não os deixar errar.

O erro faz parte do processo e os empresários, em geral, não estão preparados para admitir o erro. Não existe alegria maior para um empreendedor que se fez por si mesmo do que ver o filho assumir os negócios com responsabilidade e fazer as coisas até melhor do que ele fez. Querer competir com os filhos é uma bobagem. Os filhos estão aí para se tornarem melhores do que nós.

O William não se via assumindo as empresas do pai, você acha que qualquer pessoa é capaz de liderar uma empresa ou ocupar um cargo de gerência ou chefia? Se sim, o que ela precisa para conseguir?

Isso precisa ser estimulado desde o início. Nossa cultura é leniente nesse aspecto. Empresários judeus, libaneses, norte-americanos etc. fazem isso desde o período de adolescência dos filhos, ou seja, vão acostumando os filhos a assumir responsabilidades em diferentes áreas da empresa.

No Brasil, lamentavelmente, quando alguém coloca os filhos para trabalhar cedo no comércio, há sempre dizendo que isso é exploração de menores. É muita pobreza de espírito. Nada dignifica mais o ser humano do que o trabalho.

A liderança é um processo de descoberta. Infelizmente não é para todos, depende de uma série de fatores e competências que são desenvolvidas desde a mais tenra infância, razão pela qual deve-se começar cedo. Lidar com gente é a coisa mais difícil que existe e para isso é necessário um mínimo de preparo. Como dizia Tom Peters “chegar ao topo é fácil; difícil é conquistar o respeito do grupo”

Quais sugestões você daria para uma pessoa que seguiu um caminho que não era de acordo com o seu ideal profissional?

Já dizia Maslow, o grande psicólogo norte-americano: não é fácil saber o que queremos, é uma realização psicológica rara e difícil, portanto, a única forma de descobrir é experimentando. Não critico pessoas que já fizeram de tudo na vida, ao contrário, admiro-as. Como diz Emerson, outro pensador que admiro, tudo na vida é experimentação, portanto, se não estamos contentes com o que fazemos, o ideal é mudar, mudar, experimental, persistir até encontrarmos o que nos faz mais alegres do que tristes.

No âmbito profissional, quais são as atitudes mais destrutivas e quais as mais desejáveis?

Isso daria um livro, mas se eu tivesse que resumir em apenas três, seriam:
- As mais destrutivas: inveja, orgulho e ambição desmedida.
- As mais desejáveis: simplicidade, respeito e resiliência.

É possível mudar os pensamentos e atitudes através dos livros?

Cada livro nos remete a um nível de reflexão, por isso acredito muito na leitura. Já li centenas de livros e de todos foi possível extrair uma ideia ou reflexão, pouco importa se o livro era técnico, romance ou de autoajuda, o importante é que me ajudou em vários aspectos. Somente a dor e a leitura podem quebrar a ignorância do ser humano. Somos todos ignorantes em algum sentido, portanto, não devemos nunca parar de ler e, consequentemente, de aprender.

Qual o seu livro de cabeceira? E qual foi a sua última leitura?

Tenho vários, mas mantenho sempre à mão alguns que me ajudam como pessoa e profissional: A Lei do Triunfo (Napoleon Hill), Criatividade S/A (Ed Catmull), O Velho e o Mar (Hemmingway), Os Segredos da Mente Milionária (T. Harv Eker), Ensaios (Ralph Waldo Emerson) e Em busca de sentido (Viktor Frankl)

Minha última leitura foi Gestão do Amanhã (Sandro Magaldi e José Salibi Neto), me ajudou a entender um pouco mais para onde estamos caminhando em termos de gestão e negócios.


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23 julho, 2018

Como fazer as crianças gostarem de ler



Que leitura faz bem, todo mundo concorda. É uma ótima forma de passar o tempo, melhora o vocabulário, a escrita, exercita a empatia – já que a ficção coloca as pessoas em pontos de vista muito alheios aos delas -, dá prazer, entre tantas outras coisas boas. Mas, mesmo que seja um hábito tão bem visto – são poucas as pessoas que se tornam leitoras, de fato.

Por que isso acontece? Em algum momento da jornada, muita gente perde o interesse, diz que é chato, que não consegue. Em certas situações, a falta de vontade de ler começa na infância. No entanto, essa é a melhor fase para inserir esse importante hábito na vida da criança. 

Quer saber como fazer isso? Confira abaixo algumas dicas:

1. Dê livros de presente

Deixe que a criança tenha contato com livros desde bebê. Atente-se para a faixa etária e compre títulos lúdicos, que podem ainda ter a ver com a fase que o pequeno está passando. Por exemplo, chegou a hora do desfralde? Existem ótimos livros infantis abordando o tema. Por que não comprar um para ele? Faça a criança ter acesso ao universo literário desde cedo, as chances de que ela goste do hábito aumentam consideravelmente.

2. Espalhe livros pela casa

Crianças são curiosas e mexem em tudo, certo? Então por que não usar essa característica a favor da leitura? Espalhe livros pela casa, principalmente lugares onde ela costuma ficar mais. Existem livros de plástico para os bebês muito pequenos, interativos, de fábulas, as opções são muitas.

3. Leia com ela

Adquira o hábito de ler com a criança, pois além de estar incentivando a leitura, você estará fortalecendo ainda mais o vínculo entre vocês. Imite vozes, faça personagens, deixe o clima bem divertido.
Esse costume deve acontecer, inclusive, com recém-nascidos, pois os benefícios da leitura também são aproveitados por eles, tanto que a Academia Pediatra Americana recomenda que os pais leiam em voz alta para os filhos, desde o nascimento. Isso vai ajudando os pequenos a criarem vocabulário, além de ser um momento de interação importante na construção do relacionamento entre pais e filhos.

4. Crie um cantinho para leitura

Coloque alguns livrinhos em um espaço que a criança possa pegar, como uma cestinha, encha o canto de almofadas, pufes e tapetes, deixando-o bem confortável ou até mesmo faça uma bacana criativa. Ter um espaço de leitura mostra para a criança o quanto aquele hábito é importante e a estimula a querer ler sempre.

5. Seja um exemplo

Se você não é uma leitora ou leitor voraz ainda, talvez seja uma boa oportunidade agora que tem filhos. Crianças se espelham nos adultos de referência de sua vida para reproduzir comportamentos. Se veem os pais lendo, há grandes chances de que queiram “imitar” aquele hábito, e daí para gostar de ler é um passo.


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13 julho, 2018

Resenha de livro- O Milagre da Manhã



Há uma semana comprei este livro e quantas coisas já mudaram em minha vida. Nunca tinha ouvido falar sobre ele, via a minha cunhada compartilhar fotos lendo de manhã, mas não interessei em saber do que se tratava.

Foi na livraria que um vendedor muito atencioso me falou sobre o livro (fui exatamente no horário do último jogo do Brasil na copa, por isso digo que ele foi muito atencioso, enquanto os outros estavam com os olhos na tela). Eu não estava muito interessada, mas ele insistiu e como estava em um dia estressante, resolvi me dar esse presente (e que presente!). Postei no Instagram a foto do livro e várias pessoas comentaram que era excelente, e eu continua meio cética mas curiosa.

Comecei a ler e em quatro dias descobri quão milagroso esse livro é. Eu li comentários de pessoas que praticavam o “milagre da manhã” dizendo que acordavam cedo e passavam o dia felizes e animadas, duvidei muito disso. Sempre acordei cedo (5:30) mas com muuuuuito mau humor, sonolência, além de moleza o dia todo. Mas no segundo dia de leitura lá estava eu acordando às 5 horas para testar “o milagre da manhã”. E foi incrível! Meu dia foi produtivo, não fiquei sonolenta e me senti mais animada em cumprir meus objetivos do dia.

“Toda vez que você pressiona o botão de soneca está em um estado de resistência ao seu dia, à sua vida, e a acordar e criar a vida que diz desejar. Pense sobre o tipo de energia negativa que o cerca quando reage ao som do despertador com um diálogo interno do tipo "Oh, não, já está na hora. Preciso acordar. Não quero acordar." É como se você estivesse dizendo "Não quero viver minha vida, pelo menos não plenamente."”

Se você ainda não ouviu falar nada sobre esta obra deve estar se perguntando: que milagre da manhã é esse? O “milagre da manhã” é um método para você viver a sua vida plenamente focando em seu máximo potencial. E como seria isso na prática? O autor estabeleceu uma rotina para ser praticada preferencialmente pelas manhãs: Silêncio, Meditação, Exercício Físico, Leitura, Afirmações e Escrita. Não vou detalhar cada um deles, é bom você ficar curioso e ler o livro.

Hal Erold não é apenas um escritor falando de algo distante da sua realidade, ele realmente viveu e vive uma vida de superação. Aos 20 anos de idade sofreu um acidente, quebrando 11 ossos. Ouviu dos médicos que jamais voltaria a andar. Desafiando essas limitações, ele seguiu sua vida com determinação e tornou-se um empreendedor, maratonista e autor best-seller.

A leitura é transformadora, e o diferencial de Hal Erold é que ele trata o ser humano como um todo, formado pelo físico, emocional, espiritual e intelectual. E com esse embasamento o desafio é tornar-se  sua melhor versão em todas estas áreas. Há pessoas bem sucedidas financeiramente, mas que são uma derrota no campo emocional. Acredito que o sucesso engloba todas as áreas da vida.

“Pessoas de sucesso não nascem assim. Elas se tornam bem-sucedidas estabelecendo o hábito de fazer coisas que pessoas sem sucesso não gostam de fazer”.

Eu amei este livro, muitas mudanças estão ocorrendo em minha vida. Sempre tive muita dificuldade para fazer exercícios físicos e com o que aprendi neste livro tenho me exercitado pela manhã e me sinto muito motivada a continuar. Percebo que estou mais calma, menos ansiosa, mais focada e muito mais positiva. Consegui também me organizar para voltar a treinar com meu violino. Posso dizer que o “Milagre da Manhã” é uma realidade em minha vida.


“Seu dia é sua vida”!

Título: O Milagre da Manhã
Autor: Hal Erold
Páginas: 194
Editora: Best Seller


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